
sábado, 24 de novembro de 2012
Por estas horas
Por estas horas de tranquila e doce paz,
Quanta serenidade o espírito me traz!
É nestas horas, quando a treva se constela,
Que ouço o teu canto nas estrelas, Filomela!
Por estas horas, a minh'alma anseia por
Teu encanto, Ventura! e teu engano, Amor!
É nestas horas de tristeza e esquecimento
Que eu gosto de ficar só com o meu pensamento.
Por estas horas eu me julgo Parsifal
Para ir pela renúncia à conquista do Graal.
É nestas horas que, como um eco profundo,
Repercute no meu o coração do mundo.
Por estas horas transitórias e imortais
Se desvanecem minhas dúvidas fatais.
É nestas horas de harmonia indefinida
Que eu tento decifrar o teu enigma, Vida!
Por estas horas, meu instinto morre, com
A intenção de ser justo, o anseio de ser bom.
É nestas horas de fantástico transporte
Que eu busco interrogar a tua esfinge, Morte!
Por estas horas, eu me enlevo assim, porque
Vela no lodo humano a luz que tudo vê...
Por tuas horas silenciosas, benfazejas,
Deusa da Solidão, Noite! bendita sejas!
Da Costa e Silva
DIÁLOGO INTERIOR..
DIÁLOGO INTERIOR...
Ante o infinito,
Cismo e medito.
Mas vou pensando
E interrogando.
Dialogo a esmo
Comigo mesmo.
— Tudo convida
A amar a vida.
— E amar se deve
A um bem tão breve?
A vida é bela
No que revela...
— Mas como existe
O homem tão triste?
— A vida é a luta
Divina e bruta.
— Onde o heroísmo:
Páramo ou abismo?
— A vida encerra
Os bens da terra.
— Se esses dons temos,
Por que sofremos?
— A vida inquieta
É a mais completa.
— Mas por que a alma
Aspira à calma?
— A vida é intensa
Para quem pensa.
— E onde a esperança,
Que não descansa?
— A vida é pura
Quando há ventura.
— E por que sinto
A ânsia do instinto?
— A vida é chama,
Que apura e inflama.
— Por que a resumo
Em névoa e fumo?
— A vida é a glória
Sempre ilusória.
— Mas como é insano
O sonho humano?
— A eterna esfinge
Ninguém atinge...
— Que reticências
Nas existências!
Da Costa e Silva
SENTIMENTO CLÁSSICO
SENTIMENTO CLÁSSICO
Pisados, os olhos com que pisaste
a soleira escura de minha face;
e por mais pontes que entre nós lançasse,
ao que de fato sou nunca chegaste.
Que distâncias lamento, e que contraste!
Gravando em cada ser o amor que nasce
não encontrei o amor que me encontrasse:
amaram sem me ver, como me amaste.
Tinha os olhos tristes como eu tenho,
e o pranto que eu te trouxe de onde venho
é o mesmo que te espera adonde vais.
Se a mesma sóbria dor em tudo pomos,
não vês o que me calo. E assim nós somos
o que não somos nem seremos mais.
Moacyr Félix
"RESPOSTA A UMA CARTA"
"RESPOSTA A UMA CARTA"
É simplesmente um músculo mesquinho
o coração que existe no meu peito.
Por mesquinho, por frágil, por estreito,
não tem espaço para o teu carinho.
Outro, senhora, deve ser o eleito,
alma onde as ilusões procurem ninho,
não eu que não as tenho em meu caminho
para enfeitar-te do noivado o leito.
E vê: sou nobre, e, se quisera ainda,
certo eu pagara essa afeição infinda
com a negra infâmia da cruel mentira...
Mas não. Tua alma que de luz se enflora
na minha, em sombra, seu fulgor sumira . . .
Risca-me pois do coração, senhora.
Medeiros e Albuquerque
Decisão..
Decisão...
Na palma da minh’alma,
Revolução de emoção,
Relâmpagos de beijos,
Namorando o coração,
Nuvem graciosa,
Desenhos da imaginação,
Tela preciosa, pintando sedução,
Caixinha de segredos,
Desejos e medos,
Urgente decisão.
Sentimento atrevido,
Arrisco, vivo o perigo,
Mulher ousada... apaixonada.
Marisa de Medeiros
Esquecer impossível...
Esquecer impossível...
Não sei esquecer,
Nem quero aprender.
Você me deixa louca,
No céu da sua boca,
Rio que deságua no
Meu mar de amar,
Essa sede de amor.
Consome-me com fome,
Desejo e prazer.
Faz-me enlouquecer,
Como um vulcão,
Em total erupção,
Arde o fogo da paixão.
Seu toque leve,
Carícias... excitação
A pressa se atreve,
Amamos no chão.
Um banho... um perfume,
Um vinho... Um calor
Ondas de amor...
Fazer...refazer...
Impossível esquecer...
Marisa de Medeiros
Sonhos alados
Sonhos alados,
Recados de amor à luz do luar.
Uma estrela assanhada pra entregar.
Noite mesclada pra enfeitiçar.
Quebra cabeça de letras,
Piruetas de palavras,
Chuvas de amor e alegria,
Tempestade de magia,
Sensação demasiada,
Puro êxtase... Emoção...
Bate forte o coração...
De amor está perdido
Muito cuidado!Frágil!
Coração apaixonado.
Ache-o... é seu...
Marisa de Medeiros
Quando amor se faz...
Quando amor se faz...
As estrelas se amam,
A Lua Cheia declama,
Um poema de Paz.
O Sol frio se aquece,
Iluminando esquece,
Que já anoiteceu.
O mar bravio se acalma,
Parece que a calma,
Revigora a alma.
No jardim suas flores,
Com perfumes e cores,
Desfila amores.
No coração dos casais,
Juras de amor se misturam,
Com sussurros e ais.
O mundo mais colorido,
Onde tudo é capaz,
Quando o amor se faz...
Marisa de Medeiros
Pingos de diamantes,
Chovia...
Pingos de diamantes,
Cintilando caminhos,
Preenchendo vazios,
Expulsando espinhos.
Vestido de Sol, aquecia
O frio da estação.
Cantarolava uma canção,
Explodia Paz, inspiração.
Injetava faíscas de vida,
Nas desditas imprevistas,
Fazia tapetes de estrelas,
Trazia a Lua faceira.
Na boca, o mel de abelha,
Nas mãos, rosas vermelhas,
No olhar, a imensidão do mar,
No corpo o próprio amar.
O coração, uma centelha.
Para nunca esquecer,
Com beleza e esplendor,
Chovia amor... Pra você.
Marisa de Medeiros
Assinar:
Postagens (Atom)