segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Entrega-te a Deus



Quando nada, entregue-se aos murmúrios do vento. Perceba os sinais que a vida lhe oferece. São mínimos, sutis... Contudo, a todo o momento recebemos dádivas de luz que nos fornecem opções de recomeço. Quem se presta à observação, sente que há algo mais em tudo o que nos acontece. Aprenda a ser grato, interiorize pensamentos edificantes e, se algumas situações desconfortáveis aparecerem, faça uma prece. Deus não se afasta, não abandona... Nós é que nos fechamos e nos distanciamos do caminho.

Amor




É falta...
Anseio do que não se vê.
Abstração de um desejo comum
Simples, sem preço.
Percepção sem forma
Sensação urgente
Universo doente
Por não saber amar!
Não se substitui a essência
Não se subtrai a ausência
Desorienta-se
Busca implacável do que deveria ser inato
Conceitos distorcidos
Sentimentos corrompidos
Vazios... Desvarios...
Amar de amor para sempre!
Fruto, raiz, tronco e semente...
Naturalmente

Encantamento



Pretendia observar o mundo, encantando-se pela vida! Era cedo para desistir dos sonhos, sempre é cedo. Abrigava dentro de si incertezas e delas retirava a sustentação para continuar seguindo. Muito ainda seria edificado... Conceitos, vivências doações. Era esse o eixo, a direção. Não mais abstrairia verdades equivocadas ou perderia minutos de vida absorvendo palavras infundadas. Verteria o amor, a alegria e a sensibilidade de oferecer-se integralmente, sem preocupar-se com o retorno, restituindo ao universo as dádivas que até então recebera.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

Despertar




Aquele que parecia tão bem entender as estações encontra-se adormecido. Parou de sonhar. Absorve a realidade sem encantar-se pelos pequenos sinais de esperança oferecidos em circunstâncias inusitadas da vida. Há algo de amargo em suas palavras, convulsão de sentimentos atordoados pela descrença.  Procura-se no sussurrar monossílabo de repostas inconclusas o que antes era traduzido em ternura e segurança. Centelha que não se apaga. Resgate necessário de fé. Instalação definitiva e transparente do amor que institui possibilidades.

Lembranças





Algumas lembranças tortas passam a incomodar. São tortas porque com o tempo pedem esquecimento e são preenchidas por inferências, distorcidas por desejos. Atitudes tomadas em estado de paixão que parecem não ter acontecido. Palavras proferidas sem nenhum comprometimento, atitudes que geraram chagas cicatrizadas pelo tempo, anseios de porvir que ficaram estacionados, ancorados em algum porto de um mar sem vida. Depois de tanto tempo deveriam ser irrelevantes, contudo, despertadas em sonhos de sonos profundos, começam a remover sentimentos antes assentados pela vida. Despertos, incomodam,trazendo a impressões do que poderiam ter sido, estigmas da alma que se mexem reportando vazios que as escolhas conferiram.

Pensa-se amar



Pensa-se amar...
Amor que abriga e afasta
Amor que consola e oprime
Amor que transparece e esquece
Amor que conforta
Que apenas recebe
Que afaga
Que devasta
Que incentiva e reprime
Amor, desamor
Que pouco acrescenta
Amor afinidade
Que quase nunca invade
Amor sem retorno
Dispensa adornos
Amor de amar
Simplesmente...
Longe, distante de gente,
Que acredita reter eternamente

Wanderlucia Welerson Sott Meye

Simples




Ouça,
Não me console
Não quero palavras.
Quero suas mãos em meus cabelos.
O cheiro do teu corpo.
A lágrima que se mistura a minha.
Quero seus braços me envolvendo.
Segurança que acolhe e cuida.
Sem piedade,
Lamentos ou lembranças
Do que poderia ter sido...
Quero você!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

Amor perfeito




Assim quando parece que o coração adormece
Quando a utopia necessária encobre-se pela realidade
Vem o sorriso, a deferência, a saudade.
Remexe delicadamente as lembranças
Aquela paz que só existe quando próximos estão
Intraduzível momento onde pouco se pede
Tudo se apreende naturalmente
Amor que não aparece, reconhece.
Guardado silenciosamente como anseio de vida
Tão simples, paciente e seguro
Certo, único e verdadeiro
Sabe-se existir, o que lhe basta
Arremata, arrebata e suaviza os dias

GOTINHA DE AMOR

Se tu me amas, ama-me baixinho



Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda.

(Mário Quintana)